segunda-feira, 12 de setembro de 2016

era uma vez





Era uma vez a história de alguém que já não acreditava em amores impossíveis. Já não acreditava em amores não correspondidos, nem em amores correspondidos.
Esta poderia muito bem ser a história mais inventada de sempre, a história mais bonita e o maior happy ending da história de todos os amores. 
Esta… é a história de alguém que, tal como eu, um dia passou a aperceber-se que o amor residia nas coisas mais pequenas e mais insignificantes.
Alguém que percebeu que o verdadeiro amor está nos momentos felizes - e também nos infelizes - mas ele está lá, afinal.
Ele está e espreita quando tu não te dás conta. Ele acena-te suavemente por entre as letras de uma canção que te põe instantaneamente a pensar em alguém. 
Ele está nos risos espontâneos que tu dás com um amigo, nos gestos e nos pequenos toques inocentes de dois corpos que se querem tocar mas não sabem como. Porque são dois corpos amigos, porque são dois corpos comprometidos. Porque são dois corpos que não é suposto tocarem-se muito, abraçarem-se muito, beijarem-se muito. São dois corpos diferentes e ainda assim tão semelhantes. São um só quando conversam, quando viajam através das palavras que vão deitando boca fora, uma a uma, entrelaçando-se como se de corpos se tratassem. 

Era uma vez um amor não correspondido. Um amor que, embora existisse, não se iria nunca manifestar a não ser através de uma bonita amizade. 
E que belo é isso. Que nobreza existe no amor que eclode de uma amizade. Que beleza e que tristeza se encontram simultaneamente num amor que transborda essa amizade, nunca transbordando no entanto os limites estipulados pelas circunstâncias em que os dois amigos se encontram. 
Que tragédia e que sofrimento existe porém nas saudades que ambos estes corpos sentem um do outro e de tudo o que trocam e partilham quando estão juntos.
A definição de uma amizade sólida, segura e que será seguramente duradoura… pois nenhum destes dois amigos se quer separar um do outro muito embora nem sequer estejam juntos. 
Era uma vez esta história que nunca chegou a ter um príncipe nem uma princesa e que nunca terminará como poderia terminar. Ficaremos sempre na ignorância a que nos propomos e mantemos ao longo dos dias e dos anos.

Mas amar também é isto. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O momento em que descobres a tua missão.

No momento em que descobrires a tua missão e perceberes o que estás aqui a fazer, provavelmente chorarás. Sentir-te-às tão leve, que todas as tuas mágoas vão desaparecer quase como que por um rio a fora, pelas lágrimas que te escorrem rosto abaixo. Sentes-te cheio de um fogo imenso que inunda a tua sensibilidade, penetra o teu lado mais emocional e que te faz sentir vivo como nunca.

Quando descobrires o motivo pelo qual estás aqui, tudo fará mais sentido. As coisas começam a alinhar-se e o teu percurso, as tuas ideias e aquelas idealizações que outrora pareceram impossíveis de serem transformadas em realidade, tornar-se-ão um só. Haverá apenas uma realidade. A tua.

Vais sentir que, finalmente, estás a tomar as rédeas e serás para sempre a personagem principal do filme da tua vida, até ao fim dos teus dias.

Vais sentir-te tão bem. O caminho é incerto, dá muitas voltas e, certamente não será fácil. Mas ninguém bem-sucedido soube o que era alcançar os seus objetivos de forma fácil. Facilitada, talvez. Mas fácil?

A velha máxima que diz ''quando queres algo bem feito, terás de ser tu a fazê-lo'' é aqui tão verdade quanto o suspiro que deres quando perceberes o que raio estás aqui a fazer, neste mundo.

Há quem nasça com essa sabedoria, essa paixão que já existe desde crinaça, sabe-se lá porquê.

Há quem saiba desde sempre o que quer fazer. E há quem parta daqui sem saber o que deveria ter realmente feito, ou com pena de não ter feito o que sempre quis, até.

Há quem ainda esteja a tentar encontrar(-se). E isso não é um problema.

Mas o mais importante para que tudo dê certo eventualmente... é ter fé.

Fé em nós próprios e naquilo em que acreditamos. Fé no nosso projeto, na nossa ideia. 

Quando a ideia é maior do que nós, quando a ideia subsiste nos nossos pensamentos mesmo que a ignoremos durante décadas... Quando a ideia é algo que nos faz mexer, nos faz caminhar, aguentar um peso tremendo às costas porque nada é construído ou alcançado de um dia para o outro... Quando a ideia sobrevivee ultrapassa a própria fé em nós mesmos...

Aí, exatamente nesse momento, sabes que essa ideia é aquilo que tens a fazer.

Torná-la viva, com cores intensas, torná-la palpável. Torná-la real, para que todos a possam ver e possam até, quem sabe, sentir o que tu sentes.

Ver os frutos dessa ideia, ver como há tanta gente que se vai rever na tua ideia e identificar-se com ela.



Não a largues. Não a deixes morrer contigo. Deixa antes que as tuas ideias te permitam viver para sempre.




<3




domingo, 19 de junho de 2016

o amor, parte I de IVCCCXCVIII

Quando percebermos que o amor é e existe em todas as formas e feitios, que por isso mesmo ele não tem uma forma nem um feitio, que não tem uma medida nem uma duração, que tudo em relação a ele é uma incongruência, um objecto complexo que se descomplica a partir do momento em que existe porque é tão complexo que se torna único e, por isso, perfeito... Quando compreendermos que nos podemos apaixonar e/ou sentir amor diáriamente por várias coisas, pessoas, momentos, que todos os nossos sentidos existem e que um dos seus propósitos é apenas sentir esse ''sentir''... Aí, talvez conheçamos o amor.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Amargo

Sabes aquele sabor a insegurança?
No âmago do amargo, onde está a perpétua dança
De quem nem guia nem deixa guiar
Não passa nem deixa passar
De quem não age nem deixa agir
E quando dás por ti só pensas fugir
Do sítio onde estás, para longe, longe dali
Para um lugar audaz, com mais do que aqui

Foge, menina… Foge
Vai para onde o peito te leva
Onde o coração te carrega
Leve, sem peso na alma
Longe, longe daqui


Larga as lágrimas que já não se seguram
Larga os amores que já não perduram
Larga tudo e vai embora
Em busca de ti, por esse mar fora

Larga as conchas e as pedras duras
Larga a água que estagnou
Parou e ressecou
Larga tudo e vai embora
A vida passa e não demora


quinta-feira, 7 de abril de 2016

"Não há cá merdas"

Dizia o ar desprepcupado dele. "Não há cá merdas", só há alegria, risos de paz e boa energia, histórias hilariantes que prometo contar-te entre um charro e outro e outro...
Vamos rir e sentirmo-nos leves, sentido o presente, verdadeiramente, e outras merdas que alguns profetas escreveram. Ler Eckhart Tolle e blá blá blá. "Não há cá merdas" dizia a expressão dele, num misto de riso empurrado pelo THC e uma alma perdida com feridas que alguém um dia ía tratar ou talvez tapar. Eu nunca tive jeito para ser enfermeira, os meus próprios pontos não saram de um dia para o outro. Não há cá merdas mas olha, enganaste-me e bem com essa conversa de merda.

Where it all begins

Amanhã.

Amanhã vou acordar cheia de olheiras, ramelosa e cheia de sono. Vou levantar-me da cama, devagar, e sentir o peso do cansaço no meu corpo todo. Amanhã vou acordar e sentir no mesmo corpo que ontem era meu e hoje também, a falta que tu me fazes.
Já não sei sentir este corpo como quando não era só meu e era teu também. Já não sei acordar e sentir-me leve porque o vazio de hoje é oco mas pesa tanto.
Já não sei ser sem ser quem já fui nem ser quem fui quando a alguém pertenci. Hoje sou livre e isso é mais pesado do que alguma vez imaginara que fosse possível.

Anda cá ver

Anda cá ver se ainda é tua
A ferida que não sara
Joga a mão e atenua
Esta dor que nunca pára

Dá-me a mão ou só uns dedos
Para saber se ainda sinto
O mesmo que antes, sem medos
Se for diferente, eu não minto

Sem maldade eu só queria
Ter-te a meu lado e ver
Se o meu corpo ainda treme
Sua, vibra, sente e geme
Como antes o fazia
Até deixar de o fazer.