Era uma vez a história de alguém que já não acreditava em amores impossíveis. Já não acreditava em amores não correspondidos, nem em amores correspondidos.
Esta poderia muito bem ser a história mais inventada de sempre, a história mais bonita e o maior happy ending da história de todos os amores.
Esta… é a história de alguém que, tal como eu, um dia passou a aperceber-se que o amor residia nas coisas mais pequenas e mais insignificantes.
Alguém que percebeu que o verdadeiro amor está nos momentos felizes - e também nos infelizes - mas ele está lá, afinal.
Ele está e espreita quando tu não te dás conta. Ele acena-te suavemente por entre as letras de uma canção que te põe instantaneamente a pensar em alguém.
Ele está nos risos espontâneos que tu dás com um amigo, nos gestos e nos pequenos toques inocentes de dois corpos que se querem tocar mas não sabem como. Porque são dois corpos amigos, porque são dois corpos comprometidos. Porque são dois corpos que não é suposto tocarem-se muito, abraçarem-se muito, beijarem-se muito. São dois corpos diferentes e ainda assim tão semelhantes. São um só quando conversam, quando viajam através das palavras que vão deitando boca fora, uma a uma, entrelaçando-se como se de corpos se tratassem.
Era uma vez um amor não correspondido. Um amor que, embora existisse, não se iria nunca manifestar a não ser através de uma bonita amizade.
E que belo é isso. Que nobreza existe no amor que eclode de uma amizade. Que beleza e que tristeza se encontram simultaneamente num amor que transborda essa amizade, nunca transbordando no entanto os limites estipulados pelas circunstâncias em que os dois amigos se encontram.
Que tragédia e que sofrimento existe porém nas saudades que ambos estes corpos sentem um do outro e de tudo o que trocam e partilham quando estão juntos.
A definição de uma amizade sólida, segura e que será seguramente duradoura… pois nenhum destes dois amigos se quer separar um do outro muito embora nem sequer estejam juntos.
Era uma vez esta história que nunca chegou a ter um príncipe nem uma princesa e que nunca terminará como poderia terminar. Ficaremos sempre na ignorância a que nos propomos e mantemos ao longo dos dias e dos anos.
Mas amar também é isto.
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