Não escrevo quando quero e quando quero não escrevo.
Tento conciliar estes dois pólos mas às vezes é impossível.
Tenho procurado libertar-me. Deixar-me sentir, sofrer, chorar.
Finalemnte, tenho conseguido.
Quero voltar a ler, a ser quem sou.
Não ter medo de viver nem de amar quem amou.
Poder olhar para o céu e ver a Terra,
poder olhar para o chão e ver as nuvens que existem por debaixo dos meus pés.
Poder rir. Tenho saudades de rir.
De uma forma só minha, que se perdeu entretanto.
Saudades de sorrir. De sorrir sem medo, sem esforço, sem condicionantes.
Tenho saudades.
Saudades de ti também.
Mas tenho mais saudades de mim e daquilo que sei que vou ser capaz de fazer.
Tenho pressa e queria conseguir reconstruir-me num único dia. Sem atrasos.
Mas infelizmente não se passa assim. O tempo não passa assim.
Quero voltar a fundir-me naquilo que escrevo, voltar a rever-me naquilo que sou.
Pois eu sei que sou estas palavras, estas coisas que penso e que escrevo.
Eu sou lágrimas e dor. Mas também sou alegria e energia, felicidade, riso, abraços.
Sou luz e contagio-te.
Contagio-me também e quero contagiar o mundo com a minha luz.
Essa luz que também já foi tua. E que ainda é.
Porque na verdade, ela não é só tua nem minha, ela é de todos.
E é isto luz... e é isto vida :uma dança de luzes que se cruzam e descruzam.
Vou voltar a encontrar-me e eu sei.
Sei que sim porque o que sei de mim é-me tão familiar, e eu conheço-o.
Sei que sim pois já estou a caminhar para aquela Joana que hei-de encontrar e de amar.
Sei que vou crecer com esta dança. Mas que ela não vai ser a mesma se eu não te encontrar um dia.
Sejas lá tu quem fores.
Quero tanto dançar contigo.
Dançar a um ritmo que não me pertence só a mim nem só a ti.
Quero dançar a um ritmo que é nosso e que não é o mesmo sem as nossas duas luzes.
Vamos dançar ao som dessas luzes.
Mas ainda não.
Agora danço sozinha, enquanto encontro o meu ritmo.
Danço ao som da minha voz e da voz do mundo que me acolhe e me protege.
Danço ao som do mar e das nuvens. Danço. E contínuo a dançar.
Por entre ventos e pedras, chuvas e tempestades.
Enquanto a minha dança não se cruza com a tua, enquanto a tua luz não encontra a minha...
Agora danço sozinha.

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