domingo, 16 de fevereiro de 2014

Agora danço sozinha.

     Não escrevo quando quero e quando quero não escrevo.

      Tento conciliar estes dois pólos mas às vezes é impossível.
Tenho procurado libertar-me. Deixar-me sentir, sofrer, chorar.
 Finalemnte, tenho conseguido.

     Quero voltar a ler, a ser quem sou.
Não ter medo de viver nem de amar quem amou.
Poder olhar para o céu e ver a Terra,
 poder olhar para o chão e ver as nuvens que existem por debaixo dos meus pés.







 Poder rir. Tenho saudades de rir.
De uma forma só minha, que se perdeu entretanto.
Saudades de sorrir. De sorrir sem medo, sem esforço, sem condicionantes.
Tenho saudades.
Saudades de ti também.


Mas tenho mais saudades de mim e daquilo que sei que vou ser capaz de fazer.
Tenho pressa e queria conseguir reconstruir-me num único dia. Sem atrasos.
Mas infelizmente não se passa assim. O tempo não passa assim.

Quero voltar a fundir-me naquilo que escrevo, voltar a rever-me naquilo que sou.
Pois eu sei que sou estas palavras, estas coisas que penso e que escrevo.


     Eu sou lágrimas e dor. Mas também sou alegria e energia, felicidade, riso, abraços.
    Sou luz e contagio-te.
Contagio-me também e quero contagiar o mundo com a minha luz.
Essa luz que também já foi tua. E que ainda é.
Porque na verdade, ela não é só tua nem minha, ela é de todos.

 
 E é isto luz... e é isto vida :uma dança de luzes que se cruzam e descruzam.
Vou voltar a encontrar-me e eu sei.


Sei que sim porque o que sei de mim é-me tão familiar, e eu conheço-o.
Sei que sim pois já estou a caminhar para aquela Joana que hei-de encontrar e de amar.
Sei que vou crecer com esta dança. Mas que ela não vai ser a mesma se eu não te encontrar um dia.
Sejas lá tu quem fores.


Quero tanto dançar contigo.
Dançar a um ritmo que não me pertence só a mim nem só a ti.
Quero dançar a um ritmo que é nosso e que não é o mesmo sem as nossas duas luzes.
Vamos dançar ao som dessas luzes.

Mas ainda não.

Agora danço sozinha, enquanto encontro o meu ritmo.
Danço ao som da minha voz e da voz do mundo que me acolhe e me protege.
Danço ao som do mar e das nuvens. Danço. E contínuo a dançar.
Por entre ventos e pedras, chuvas e tempestades.

Enquanto a minha dança não se cruza com a tua, enquanto a tua luz não encontra a minha...
Agora danço sozinha.












quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

''Não leias isto'' (...) entre um tempo de tristeza há dois espaços de felicidade.

Não leias isto.

Não leias isto que sempre quis que tanto lesses por entre as lágrimas do meu rosto.
E hoje não adianta de muito ler meia dúzia de palavras que já nada te farão sentir.

Não leias isto. Não leias. Não vais encontrar nada de novo. O que era novo já foi e foi há muito tempo.
Nem dura para sempre, nem se mantem novo.
Renova-se.
E para se renovar há que achar novidade naquilo que já de novo não tem nada.

Não leias mais.
Não vais encontrar nada do que já não te tenha dito antes, algum dia, há muito tempo.
Ou talvez vás.
Para mim, não foi assim há tanto tempo. Para mim ainda é um hoje. Que perdura e insiste em voltar já estando presente, de cada vez em que parece que o tempo parou e eu deixei de me distrair por pouco tempo.

Não leias isto.
Não vais querer lê-lo nem tão pouco querer sabê-lo. Felizmente para ti o tempo foi outro.
E neste momento já é outro. Invejo o tempo em que estás porque queria saber como estar no meu tempo;
Aquele que sei que vai ser o meu tempo.
Meu e só meu. Mas ainda não cheguei lá.

Não leias isto. Porque ainda preciso de acreditar que estás na ignorância da minha existência
e eu na ignorância da tua.
Não faz muito sentido. Tal como eu. Nunca fiz muito sentido.

Não leias isto... essencialmente porque acho que não faz sentido, se eu nunca te fiz sentido,
porque é que agora eu ou alguma coisa que venha de mim ía fazer...
Quem me dera não ter sentido.

Não leias isto... Porque quando o leres já eu não estarei a desejar não ter sentido.
Porque quando vires já eu estarei a querer sentir outra vez.
Porque entre um tempo de tristeza há dois espaços de felicidade.
E eu sou feliz assim.
De lágrimas no rosto
A renovar-me todos os dias
A não ter sentido nenhum
E a sentir o que agora não quero sentir.



Não leias isto porque no fundo até poderias saber que eu queria mesmo era que lesses.
Mas isso sim, não faria sentido.



J

where does this whole 'stay gold-thing' come from?

Here's your answer, for those who don't know.




Nature's first green is gold,

Her hardest hue to hold.

Her early leaf's a flower;


But only so an hour.


Then leaf subsides to leaf,


So Eden sank to grief,


So dawn goes down to day


Nothing gold can stay. 




Robert Frost

Ao Pedro.

Hoje foi um dia em que Reflecti muito.

O que hoje aprendi parece ser algo que está sempre a ir e a vir, um ensinamento daqueles que nunca se estabelecem dentro de nós, vai e vem como o vento e teima em não ficar.

Hoje aprendi outra vez que há coisas que dizemos, disparates que fazemos e birras connosco próprios que não valem sequer um segundo da nossa vida.
Acontece. Ou porque é da boca para fora, ou porque é um dia que corre mal, ou porque são muitas coisas de seguida a correrem mal.

Acontece desejarmos que pudéssemos desaparecer.

Acontece.

Hoje pensei nisto como há muito não o fazia.
Entre o hoje e o ontem, muitos de nós ficámos a saber que o mundo perdeu uma alma nova, cheia de vida, cheia de força e vitalidade e energia para dar. Tive pena de nunca ter contactado com esta vida.
É verdade que não a conhecia. É também verdade que conheço muito pouco o Pedro.
Conheço a sua música, o seu trabalho, a sua crença constante na terra que o viu crescer e que o viu escrever, cantar, criar.

Temo que este acontecimento, assim como (acredito) a todos vós, me tenha feito pensar em muita, muita coisa.

Sou daquelas pessoas que acredita verdadeiramente que... a única coisa que nos ajuda a caminhar e a continuar é o amor.

O mais puro de todos. O amor ao próximo. Aquele amor que todos temos a capacidade de sentir mas que com o tempo e com tudo o que nos rodeia faz muitas vezes com que ele ou se desvaneça ou com que nós deixemos de acreditar.

Deixamos de acreditar que a pessoa da frente nos vai segurar na porta não a deixando tombar em cima de nós. Deixamos de acreditar que... se precisarmos de um amigo às quatro da manhã com quem desabafar ou mesmo chorar, ele vai estar lá... Deixamos de acreditar uns nos outros. E parece ser um ciclo vicioso.

Por consequência, deixamos de acreditar no amor.


Como é que hei de traduzir tudo isto que quero dizer em miúdos?
Bem... posso começar por dizer que acredito que este amor de que falo, em primeiro lugar, não é apenas um amor qualquer. Não é um ''amor de namorados'', não é um amor de irmãos, não é um amor específicamente categorizado como nos foi ensinado a fazer com todo o tipo de coisas ao longo da vida, não.

Este amor é o contrário. Este amor não tem categorização possível.
Este amor é o que salva. Salva da perda, salva da tristeza... É aquele que nos salva por vezes de nós próprios. É aquele que salva até da morte.

Por isso... conhecidos, desconhecidos, amigos e família destas duas almas que se amaram no verdadeiro sentido da palavra, amem mais, amem mais ainda quem está, amem mais quem parte, amem-se uns aos outros.

Porque se isso não existisse, ninguém ficava por cá. Ninguém lutava. Ninguém ganha força sem o amor puro e honesto dos que nos rodeiam e dos que nos são próximos.


Muita força Pedro; Espero e acredito honestamente que terás o amor necessário que te vai fazer (re)nascer.
Sei que tens muitas almas a torcer por ti e pela família da tua amada e por todos os que sofrem neste momento; Eu torço por ti, Armação torce por ti e todos os que te conhecem, melhor ou pior, torcem por ti.



xx

J