quinta-feira, 7 de abril de 2016

"Não há cá merdas"

Dizia o ar desprepcupado dele. "Não há cá merdas", só há alegria, risos de paz e boa energia, histórias hilariantes que prometo contar-te entre um charro e outro e outro...
Vamos rir e sentirmo-nos leves, sentido o presente, verdadeiramente, e outras merdas que alguns profetas escreveram. Ler Eckhart Tolle e blá blá blá. "Não há cá merdas" dizia a expressão dele, num misto de riso empurrado pelo THC e uma alma perdida com feridas que alguém um dia ía tratar ou talvez tapar. Eu nunca tive jeito para ser enfermeira, os meus próprios pontos não saram de um dia para o outro. Não há cá merdas mas olha, enganaste-me e bem com essa conversa de merda.

Where it all begins

Amanhã.

Amanhã vou acordar cheia de olheiras, ramelosa e cheia de sono. Vou levantar-me da cama, devagar, e sentir o peso do cansaço no meu corpo todo. Amanhã vou acordar e sentir no mesmo corpo que ontem era meu e hoje também, a falta que tu me fazes.
Já não sei sentir este corpo como quando não era só meu e era teu também. Já não sei acordar e sentir-me leve porque o vazio de hoje é oco mas pesa tanto.
Já não sei ser sem ser quem já fui nem ser quem fui quando a alguém pertenci. Hoje sou livre e isso é mais pesado do que alguma vez imaginara que fosse possível.

Anda cá ver

Anda cá ver se ainda é tua
A ferida que não sara
Joga a mão e atenua
Esta dor que nunca pára

Dá-me a mão ou só uns dedos
Para saber se ainda sinto
O mesmo que antes, sem medos
Se for diferente, eu não minto

Sem maldade eu só queria
Ter-te a meu lado e ver
Se o meu corpo ainda treme
Sua, vibra, sente e geme
Como antes o fazia
Até deixar de o fazer.