quinta-feira, 2 de julho de 2015

O amor que eu quero I



O amor que eu admiro é aquele amor que é independente. É livre. É solto, não tem princípio nem fim e parece ser sem ser preciso ter sido algo diferente daquilo que já é. Parece confuso? Eu acho que é a forma mais simples e bonita de amar, talvez a única que deveríamos conhecer.


O amor que eu tive... Ah, o amor... ou melhor, os amores que eu tive. E os ''desamores''. Amar e desamar dá cabo da cabeça, faz rugas e chateia durante mais tempo do que aquilo que se pensa. Provoca uma espécie de comichãozinha semi-permanente, que é desencadeada pelas mais diversas coisas, normalmente escolhidas pelo nosso leal amigo ''subconsciente''. Demasiado leal, até. Está sempre lá. É por causa dele que apanhamos as ditas bebedeiras, saímos para espairecer, sobrecarregamo-nos de trabalho, tentamos ao máximo distrair a mente, quando no fundo o que queremos realmente distrair é o coração.


Como ia dizendo, os amores que eu tive foram tão intensos como os desamores. Tiveram tanto de mau como de bom e sempre que a escala de felicidade atingia picos altíssimos, mirabolantes, extasiantes e outros tantos ''antes'' nunca antes imaginados por mim, percebi eventualmente que o mesmo iria acontecer quando a escala reduzisse e caísse a pico. Para uma numeração muito abaixo de zero.
 E isso não é mau. Nem é bom. É o que é, foi o que foi.

Quanto ao amor que eu quero? Só sei que não é um daqueles de conto de fadas que além de não existirem, ainda ganham o título de autêntica seca... São bons para pessoas conformadas, para Ricardos Reis e outros heterónimos da mesma espécie... Não é que o amor estilo «conto de fadas» não possa existir. Mas foi definitivamente feito para pessoas que não existem - o que acaba por ir dar à mesma coisa.

O amor que eu quero é indefinido. Não tem forma, nem cor, nem cheiro. É indefinido por natureza. O amor que eu quero não existe porque o amor não deve ser algo que se ''quer'', é algo que se sente e quanto mais se quer menos existe. Evapora-se. Distorce-se. É disforme. Definir o que se quer já é difícil por si só, quanto mais definir um amor que se quer. Queremos demasiado, sentimos demasiado pouco.

Imagino uma corda em que cada um puxa para seu lado, cada lado é uma emoção diferente, cada corda é um dia diferente, naquilo a que chamamos despreocupadamente ''relacionamento''. Por isso fácil é definir o amor que não quero. O amor que quero? Esse não existe. Hei-de sentir como fiz antes e tentar apenas saber ver o que não quero, quanto sentir.


 (...)