quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Vazio.


(...)
É um vazio que não entra nem sai.
Não deixa respirar nem sair o ar que já lá está dentro.
Não consigo sentir isto. É um sentir que não é cheio, é apenas oco.
Dói mas já nem doi o suficiente para pelo menos conseguires sentir alguma coisa consistente.

O porquê de o sentir existe apenas entre um conjunto de palavras proferidas e uma atitude. Ambas estas coisas são ar. Não passam de ar. Quer dizer... O ar além de ser aquilo que respiramos, aquilo de que precisamos para viver (por outras palavras, indispensável), também provoca sintomas de dor? FÍSICOS?!

Por vezes não nos lembramos de certas situações que ocorreram num determinado momento da nossa vida. Por vezes, nem sequer sabemos já o que sentimos nesse momento em particular. No entanto, isso não significa que o nosso corpo não se lembre. 
Algo me faz acreditar (ou sentir) que a nossa memória se estende muito para além do nosso cérebro. 
Às vezes, tenho mesmo a sensação de que a nossa pele tem memória. Os nossos olhos, os nossos ouvidos. A nossa boca. E os nossos sentidos estremecem quando essa memória é de alguma forma activada. 
Aquilo que dói não é específico. Fica algures entre o peito (isso mesmo, do lado esquerdo) e o corpo todo.

(...)

Chorar faz bem. Dizem que lava a alma, por dentro. Ajuda a alguma coisa. Não sei bem a quê mas gosto de acreditar que se realmente lava a alma (sentimo-nos mais leves normalmente depois de chorar certo?) lava também o resto.
Em suma, a culpa disto é da memória. 
Essa que tem a mania de que até o código genético consegue enganar.
(...)

To be continued. Ou então não.